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Casas populares contra a crise

Da mesma maneira que em 1993 foi lançado o carro popular com impostos reduzidos, os governos poderiam criar amplos programas de fomento de casas populares.

O Brasil, é sabido, tem um déficit fenomenal de casas populares, calculado em 7 milhões de unidades. De início, o programa poderia começar por financiamentos concedidos ao próprio funcionalismo público, com descontos em folha de pagamento.

O governo paulista deu pequena mostra de como poderia ser um modelo para a base do programa. Professores da rede estadual de ensino de São Paulo, calculados em um exército de 240 mil profissionais, podem comprar laptops em módicas 36 parcelas de R$ 36 mensais.

Cálculos do professor de Arquitetura da PUC-Campinas (SP) Douglas Piccolo indicam que 1 milhão de moradias populares demandam investimentos de US$ 35 bilhões e criam 300 mil empregos diretos durante 12 meses. Só a título de comparação: toda a indústria de autoveículos brasileira emprega 113 mil funcionários.

"O efeito multiplicador da construção civil é muito grande. O que falta efetivamente é uma política para casas populares", diz o professor, que estuda o tema há quatro décadas.

Além de governos, empresas diretamente vinculadas à cadeia da construção civil poderiam entrar no mutirão anticrise via disseminação de financiamentos de moradias populares. O Brasil tem uma grande oportunidade de criar um política voltada para suprir a carência habitacional.

Construção civil, como é sabido, também é fonte de arrecadação de impostos. Portanto, o estímulo à atividade também é sinônimo de tributos.

Não bastasse tudo isso, a construção civil é efetivamente um dos carros-chefe da economia. Sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) nos doze meses encerrados em junho foi de R$ 124,5 bilhões - o que representou 4,6% do PIB total do período, que somou um total de R$ 2,7 trilhões.

Fonte: Gazeta Mercantil – São Paulo
 
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